sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

passagem

façamos, às horas que virão, um acordo com o tempo. farei eu, às horas tantas, às horas escuras e mudas, um acordo... não mais deitar a vida em dias e noites que se roubam diante dos ponteiros. o tempo nunca nos mentiu, ele nem começa e nem acaba, apenas ingenuamente marcamos dias e datas, estas que passam sem nos percorrer.
que se evapore de mim, junto com meu suor, a ânsia. sim! às horas mudas, onde dormem as palavras mais sábias: as que não foram ditas; a imensidão e a correnteza unam sensações para que até meus pêlos saibam que não há novembros, nem as cinco horas da tarde. tudo é eternidade, desde o instante primeiro, tudo é eternidade. o tempo desenhando mapas sobre mim, atravessando-me. a vida há de ser qualquer coisa que nos atravessa e o tempo há de sempre ser.
havendo deus, que ele venha até mim, de novo re-encarnado e que esta força que há em nós, esta coisa que age e pensa, se despregue do tangível a fim de alcançar o ser. então meus olhos estarão no longe do sem-fim e em minhas mãos... o que guardariam minhas mãos se eu soubesse o que é o tempo?


Um comentário:

Conse Bastos disse...

...com o seu texto viajamos pelo tempo vivido, pensado, mitificado, para encontrar ao final o abismo descortinado: ...o que guardariam as mãos se soubéssemos o que é o tempo?

amei,